Filhotes gêmeos de anta são registrados pela primeira vez na natureza

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Giovanni Weber Scarascia

Giovanni Weber Scarascia

Coordenador do Projeto REURB-S em Conceição do Mato Dentro e em Itatiaiuçu (MG), Especialista em Comunicação Inclusiva e CEO da empresa Desafio Social.
Giovanni Weber Scarascia

Giovanni Weber Scarascia

Coordenador do Projeto REURB-S em Conceição do Mato Dentro e em Itatiaiuçu (MG), Especialista em Comunicação Inclusiva e CEO da empresa Desafio Social.

Extremamente raros e, até então, nunca documentados em seu habitat, filhotes gêmeos de anta (Tapirus terrestris) foram filmados na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Trápaga, em São Miguel Arcanjo (SP). O registro intriga – e anima – os pesquisadores do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que tem apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, WWF-Brasil e banco ABN AMRO, responsáveis pelo registro e identificação dos animais. A descoberta é uma dose dupla de esperança para a espécie que está ameaçada de extinção na Mata Atlântica, já que, além de ser um fenômeno da natureza que pode ampliar o conhecimento sobre o animal, tem potencial para fortalecer a conservação por meio da sensibilização e encantamento pela espécie.

Registrar um evento que desafia as leis da natureza é, no mínimo, motivo de espanto e contemplação. Esses foram os sentimentos de um grupo de cinco pesquisadores quando se depararam, em dezembro do ano passado, com um vídeo de antas gêmeas, registrado por um equipamento fotográfico instalado na reserva.

A surpresa pela gestação de gêmeos é por se tratar de uma espécie que, evolutivamente, tem o corpo preparado para gerar apenas um filhote.  E a animação é porque os filhotes já têm cerca de um ano e meio. Na Mata Atlântica, bioma onde ocorreu o registro, é um grande desafio um filhote de anta resistir diante do ciclo da própria natureza, mas também por ser um bioma muito ameaçado pela atividade humana, onde, além do desmatamento, as antas enfrentam ameaças como a caça, atropelamento, perseguições de cães domésticos, entre outras.  

A confirmação veio em janeiro deste ano, depois de outros registros em imagem e observação direta, ou seja, vendo os animais presencialmente. Para bater o martelo no que seria o primeiro registro desse tipo na natureza, Mariana Landis, pesquisadora do Instituto Manacá, associado ao Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, conta que outros pesquisadores foram envolvidos. “Além da nossa equipe, a pesquisadora Patrícia Médici teve um papel fundamental na confirmação dessa descoberta e sua raridade, nos ajudando também com a busca por relatos de antas gêmeas no mundo. Como desconfiávamos, não tinha nenhum caso similar documentado. Ficamos surpresos”, completa.

Embora as antas da espécie Tapirus terrestris sejam os maiores mamíferos terrestres da fauna silvestre da América Latina, as fêmeas só geram um filhote por gestação, que nasce com cerca de seis quilos, após 13 meses. “No Brasil, existem dois registros de filhotes gêmeos de antas nascidos em cativeiro. Nestes locais, esses animais têm o suporte de profissionais para garantir o sucesso do nascimento e desenvolvimento dos filhotes. Ainda assim é desafiador, demanda cuidado especial para sobreviver. Na natureza, essa mãe e os filhotes estão sozinhos, e os fatores que podem garantir a sobrevivência envolvem, além da saúde da mãe para gerá-los e nutri-los, sua dedicação intensa para protegê-los e uma floresta saudável que, no caso da Mata Atlântica, é cada vez mais difícil”, explica Mariana.

A pesquisadora diz que seriam precisos estudos para afirmar ou associar o fenômeno a algum fator específico, mas chama atenção que a descoberta pode guardar informações importantes sobre a espécie. “Esses registros podem ser eventos aleatórios, mas também podem representar mudanças significativas na compreensão que temos da espécie. Pretendemos continuar monitorando estes animais em busca de mais informações”, informa Mariana.

Monitoramento

A descoberta é fruto do trabalho de monitoramento realizado na reserva, que visa promover a observação de antas na natureza, gerando a sensibilização com a espécie, sendo uma das frentes de atuação do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar. O programa é um dos maiores monitoramentos de mamíferos de grande porte já feitos no bioma Mata Atlântica e o primeiro em larga escala realizado nessa região, com principal objetivo de gerar dados para subsidiar planos de conservação da anta (Tapirus terrestris), do queixada (Tayassu pecari) e da onça-pintada (Panthera onca).

Para Marion Silva, gerente de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, uma das instituições apoiadoras do programa, a descoberta fortalece a valorização da fauna silvestre. “A pesquisa científica está demonstrando, cada vez mais, a importância da conservação dos habitats para a preservação das espécies. Além disso, a natureza preservada oferece oportunidades de negócios sustentáveis, como a observação de fauna, que dão alternativas socioeconômicas à população local”, aponta Marion, ressaltando que a aparição dos gêmeos ocorreu em parte do território da Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente do bioma no Brasil.

Conflito humano-fauna

A observação de antas, assim como a descoberta dos gêmeos, pode ser uma linha de ação voltada à mitigação de conflito humano-fauna e redução de ameaças, segundo Felipe Feliciani, Analista de Conservação do WWF-Brasil, instituição apoiadora do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar. “Há diversos casos de sucesso de turismo de observação como meio para minimizar os conflitos humano-fauna, incluindo no Brasil. Os conflitos, geralmente, têm origem em prejuízos econômicos que os animais silvestres geram para produtores rurais – por invasão a plantações e predação de animais de criação. Mas, com um bom manejo e ainda com retorno econômico, o cenário pode ser outro. Se há pessoas indo ver antas, gera renda para região, captação e divulgação de imagens da espécie, mais pessoas abraçando a conservação. Uma descoberta, associada a uma espécie envolvida em diversos conflitos, é uma boa dose de esperança”, finaliza

O programa é realizado pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) e Instituto Manacá, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, WWF-Brasil e banco ABN AMRO, e conta com a parceria da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), a Fundação Florestal, o Legado das Águas – Reserva Votorantim, Fazenda Elguero, o Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (PPG ECO – UFPR),  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ekoa Park, Parque do Zizo e Salve Floresta.

Sobre o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar

O “Programa de Monitoramento e Conservação de Grandes Mamíferos na Grande Reserva Mata Atlântica” é uma iniciativa idealizada por pesquisadores do Instituto Manacá e do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), que tem como objetivo implementar o monitoramento de grandes mamíferos em larga escala, promovendo uma agenda territorial integrada nas ações de proteção e manejo dessas espécies, assim como sensibilizar a sociedade civil da importância da Grande Reserva Mata Atlântica, maior remanescente contínuo de Floresta Atlântica preservada do país, na conservação da vida selvagem. O diferencial do programa é o monitoramento em larga escala. São 17 mil km² de atuação nos estados de São Paulo e Paraná – uma área equivalente a 11 cidades de São Paulo.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.

Informações à imprensa

Assessoria de Imprensa Grandes Mamíferos da Serra do Mar

Laila Rebecca (12) 9 9686-3446[email protected]

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